quinta-feira, 29 de março de 2007




ENSAIO DA MORTE


Ele mora
no vigésimo andar,
e em noites tempestuosas,
ele pensa em se atirar.
A traição
lhe deixou um coração ferido
e uma vontade estranha
de morrer pelas entranhas.
Seu pai
calcula os lucros do dia,
sua mãe toca piano,
sua irmã, no banheiro,
ensaia passos de dança...
Ele trancado no quarto,
se envenena com ácidos e calmantes.
Discos e livros na estante.
A tartaruga alimentada,
plantas regadas.
Rituais do dia, cumpridos.
Tudo em ordem,
e um coração ferido.
Ele mora perto do céu,
na solidão do seu quarto,
onde os anjos nem a luz
vêm lhe visitar.
Ele está só,
e seu pai calcula os juros do dia.
Sua mãe toca sem culpa.
E sua irmã, no banheiro,
a bailar,
a bailar,
a bailar,
a bailaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar

Um comentário:

Johnny disse...

É até estranho que não nos conheçamos, apesar da proximidade, tb sou formado pela ETUFBA, arte-educador e poeta e nascido no sertão! hehehe
Gostei do teu texto e voltarei. Abraços