sábado, 24 de março de 2007

ALUGA-SE UM HOMEMA

Aluga-se um homem.

Com muitos cômodos

E um incômodo coração.

Localizado ao lado direito do peito,

Perto da emoção e tão distante da razão.

Um super-homem aposentado,

Um ser lindo e alquebrado.

Aluga-se.

Com muitas cicatrizes

E muitas janelas que dão

Para um ensolarado horizonte.

Com muitos cômodos

E um infinito corredor

Por onde vaga a solidão.

Aluga-se um homem.

Um menino que chora escondido,

Um poeta revolucionário

Dentro de um corpo franzino.

Aluga-se.

Um homem nu,

Despido de tantas normas,

De tantos conceitos,

De tantos medos.

Com apenas as asas da liberdade

Lhe cobrindo o sexo.
Que sexo?

Aluga-se.

Por um preço de noite estrelada,

Por um preço de lua

Estampada na poça d`água,

Por um preço de amor de mãe,

Por um preço de liberdade...

Aluga-se

Um comentário:

Filipe Dias disse...

"Ontei caí do sonho.
Dormia demais e pensava de menos.
Quando vi, já estava embaixo da cama:
Tive que acordar!"