sexta-feira, 13 de abril de 2007


OUTRA CANÇÃO


A canção que escrevo
Não é bela nem feia,
Não é de sol nem de chuva,
É triste em qualquer dia,
Em qualquer estação.

Canção que não se diz,
Que não se canta,
Que não se declama,
Mas que se inscreve
Na veia fina do coração,
Na lápide fria dos ausentes.

A canção que escrevo
É a mesma que se sente
Na cólera,
Na ira dos condenados,
No ósculo de traição,
Na ingestão do veneno
E do antídoto.

Canção fúnebre e carnavalesca,
Máscara de Arlequim,
Punhal manchado de sangue,
Grito silencioso,
Música das horas interrompidas.

3 comentários:

Anônimo disse...

Caro Ivan, num primeiro contato que tenho agora já percebo que terei de dedicar algumas horas de consulta ao seu blog. O que posso dizer agora é que estou curioso para fazer isto logo. Parabéns. Jeudy

Carmen Regina Dias disse...

Gosto tanto quando leio e minh`alma
sobe aos olhos para ler por mim...
demais da conta...
Poeta, como que eu não encontrei
antes essa poesia tão adornada
de encantos?...
Nem sei quanto tempo vou passar
aqui neste jardim, são tantas flores
nos teus canteiros,
tantos passarinhos pousados em teus galhos...
Estou encantada?...

Marcos Paixão disse...

Obrigado pelas palavras carregadas de tanto orvalho, coisa de manhã nascendo, canção de ostra ao vento.
Fico fleiz por esse encontro. A poesia é de quem a "encontra"